Dezembro 2025
Olá amigas e amigos
Aqui estão 44 textos poéticos (haicais, tercetos, haibuns, tankas, etc) referentes ao mês de DEZEMBRO de 2025.
Todos estão postados no Instagram em @sergiofpichorim em forma de fotohaicais.
Curtam e sigam lá 😊👍
Boa leitura.
Fiquem à vontade para replicar, curtir e comentar.
Obrigado. Matsuki Pichorim. 🌲
MORANGO COM NATA (haibun)
Na memória ainda ecoam os sons e as imagens em festas e fandangos (caiçaras e colonos), das quermesses de antigamente. Quem não se recorda das festas juninas no patronato Santo Antônio?! Ou dos bailes do quentão no São Pedro?! Não sei se é a mais antiga festa de São José dos Pinhais, deixo isso para os historiadores responderem, mas lá do fundo das minhas lembranças, há mais de meio século de existência, vem aquele sabor de nata misturado com alegria...
No Rio Pequeno
a festa do moranguinho.
Volto a ser criança.
1.12
tomara
que tenha
tâmara
2.12
no tronco oco
do pé de coco
o som faz eco
2.12
amor e romã
amoras e aromas
amei a manhã
2.12
Desnorteado -
o girassol sem sol
se volta pro norte.
3.12
Grafite no muro.
O caramujo artista
deixa sua marca.
4.12
Hoje já idoso
eu me vejo pequenino.
Reflexo convexo.
5.12
Capim-limão
cheirin' ruim
ou
cheirão bão?
6.12
Quando o sol toca
a linha do horizonte...
algo toca n'alma.
7.12
Alma-racnídea (tanka)
O que restará
da aranha que eu matei?
Assim eu serei.
Memórias de um grão de pó
a história de uma gota!
8.12
Velho cajueiro.
Um fruto maduro cai
barulho cheiroso.
8.12
Da sacola vem
um aroma de caju...
passeio turístico.
9.12
Um acento móvel
no título do capítulo.
Pequena formiga.
9.12
O chão fica rosa
embaixo do jamboeiro
e o turista, prosa.
10.12
A cada semana
uma nova floração.
Acácia amarela.
10.12
Neste sol a pino
à sombra do juazeiro...
sábio nordestino.
11.12
Doze minutinhos
dura a chuva de verão.
Um breve cochilo.
12.12
a rã mergulha...
ondas no lago e
no som.
13.12
Faxina geral.
Assinatura no muro
escuro de musgo.
13.12 Ōsōji, faxina geral em dezembro pra chegada do Ano Novo.
O jardineiro,
em seu capricho, não viu
os dentes-de-leão.
14.12
O jardineiro,
em seu relaxo, contempla
os dentes-de-leão.
14.12
Abelhas nativas.
O voo sincronizado
no ritmo do vento.
15.12
Final de semestre.
Professores se queixam dos alunos
e vice-versa.
16.12
Amigos na foto,
secretos e revelados.
Um momento eterno.
17.12
Folhas verdes
arrancadas com violência.
Vento de verão.
18.12
De volta pra casa,
no ônibus superlotado
um bêbado grita:
que Jesus Cristo te ama...
blá-blá-blá... feliz Natal...
19.12
Há de vir o tempo
desta paz tão desejada.
Tempo de advento.
19.12
Vista do espaço,
como é linda a cidade!
Um tapete de luzes,
cintilantes cristais.
E saber que
lá embaixo entre elas
há medos e mazelas.
20.12
Lento entardecer.
Só uma vela ilumina
o mundo distante.
21.12
Já todo enfeitado
meu pinheiro matsuki.
Logo é Natal!
22.12
A harpa no shopping
e as músicas natalinas.
como antigamente.
22.12
"Profeta Jesus,
que a paz esteja com ele!"
Tempo de natal.
23.12
Em nome de Allah,
nasceu Jesus de Maria
profeta e messias.
24.12
Obs: no Alcorão, Jesus é citado onze vezes como grande profeta e messias.
Faça-se Natal
em todo ano que virá!
Paz, luz e amor.
25.12
Brinquedo barato.
Nem bem termina o Natal
já está quebrado!
25.12
Início das férias.
Dar um fim ao tsundoku
é meu compromisso.
26.12
Filmes de terror
na maratona Netflix.
Um vitral de rosa.
27.12
As formigas seguem
o rejunte da calçada.
Tráfego intenso.
28.12
É bom sentir as gotas
escorrendo pelo corpo!
Banho de verão.
29.12 Enxugar-se sem usar toalha: coisas de verão.
em uma rocha...
o eterno e o fugaz
inseparáveis.
30.12
CIÊNCIA EM 1973 (haibun)
__ Você quer trocar bolinhas de gude por um ímã?
Foi a oferta que eu recebi no pátio do Grupo Escolar Padre Pedro Fuss.
Um ímã era pura magia para um menino de 8 anos, como eu. Uma força invisível e tão real. Imediatamente eu aceitei a troca.
Não lembro quantas búlicas eu dei, mas recebi um pedaço disforme de um metal, meio cerâmica, tipo uma pedra. Isso seria mesmo um ímã? Como saber? Um aluno da 3ª série primária não portava nada metálico em seu penal escolar. Na dúvida, guardei no bolso para testar quando chegasse em casa.
Meu caminho de volta pra casa passava pela Avenida das Torres, uma rua de saibro e meio gramado, na época sem qualquer movimento. Como sugere o nome, em seu centro corriam linhas de alta tensão e suas imponentes torres metálicas. Ao passar aos pés de uma destas torres eu não hesitei. Saquei o suposto ímã do bolso e o aproximei da estrutura elétrica. Voilà, grutou! É ímã, que alegria. Mas imediatamente me veio um frio mortal na espinha: ímã atrai também a eletricidade? Ó dúvida cruel!
E agora? desgrudo ou não, o meu precioso artefato desta torre? corro o risco de ser eletrocutado?
Não julguem minha inocência ou minhas incertezas infantis. Afinal, eu era apenas um menininho, não poderia saber que campos elétrico, magnético e eletromagnético são distintos entre si (essa confusão ainda hoje é comum entre os adultos). Mas na minha ciência de 1973, eu já sabia que havia uma forte correlação entre esses campos...
Na rede elétrica...
despreocupadamente
pousa a sabiá.
30.12
Tender e lentilha...
aromas especiais
das Festas em casa.
31.12
Será esse espresso...
o último do ano?
Medito sem pressa.
31.12
Vinte, vinte e cinco
para vinte, vinte e seis...
segmento E on!
31.12
⚪️🟣🟡🔵🔴🟠🟢
Comentários
Postar um comentário