Agosto 2025
Olá pessoal
Aqui estão 48 textos poéticos (haicais, tercetos, haibuns, etc) referentes ao mês de Agosto de 2025.
Todos estão postados no Instagram em @sergiofpichorim em forma de fotohaicais.
Curtam e sigam lá 😊👍
Boa leitura.
Fiquem à vontade para replicar, curtir e comentar.
Obrigado. Matsuki Pichorim. 🌲
AMOR À ROMA
é real ou é palíndromo?
Foi só história...
1.8
Latidos distantes
em meio à cerração...
já quase manhã.
1.8
Em todo o jardim
uma única flor...
Abelha de inverno.
2.8
Praça de São Pedro.
Sobre o mármore eterno
uma vida breve.
2.8
A minha história
na coleção de medalhas.
Retiro de inverno.
3.8
O som de cristais
gotejando na soleira.
Chuva de inverno.
3.8
Noite de inverno.
Pensar duas vezes antes
de ir ao banheiro.
4.8
Cantos de louvores
no outro lado da avenida.
Noite de inverno.
5.8
Outro 6 de agosto.
Ao rever a cerejeira
coração em paz.
6.8 após 80 anos da grande bomba...
O ritmo da chuva
que goteja na soleira.
Noite de inverno.
6.8
As formas difusas
na poluição da tarde.
Serra no horizonte.
7.8
Não se despetalam
as flores da hortênsia...
Buquê hibernal.
8.8
O menino brinca
no velório do bisavô.
O ciclo da vida.
9.8
Manhã de agosto.
Muitas conversas na praça
Mesmo assim, silêncio.
9.8 Postagem n. 3000 no Instagram
Em uma imagem...
São José nos pinheirais
rogai por nós.
10.8
É o meu presente
para o dia dos pais.
Lua cheia plena.
10.8
As pétalas secas
que nunca caem no chão.
Flores da hortênsia.
11.8
Uma nuvem branca
presa no fio do varal...
Quase enxuta.
Asas e gritaria
nas folhas da laranjeira.
Bando de pardais.
Rosa bem vermelha.
Uma cigarra anuncia
fogo no jardim.
Caracol no muro.
Os rabiscos prateados,
sua assinatura.
12.8 sobre quarto "haicais" de Dalton Trevisan.
O poder do canto
da pequena corruíra.
Paz no coração.
13.8
Sob a cerejeira,
nem mesmo um pensamento
nenhum haicai.
14.8
No capão de mato
os bugios em gritaria.
Tempo de pinhão.
15.8
No serro azul
a cerejeira rosada.
Encontro casual.
16.8
Final de inverno.
Varrendo contra o vento
folhas da calçada.
17.8
INCULTURAÇÃO (haibun)
Em 1878 minha família chegou da Polônia e se instalou aqui em São José dos Pinhais. Nosso sobrenome, como a maioria dos poloneses, era uma sopa indigesta de letras para os brasileiros. Era algo entre Przorsz e Picholski, e dependia da paciência ou pressa do escrivão no momento de ser pronunciado. Resultado, cada parente era registrado com uma grafia diferente.
Cansado disso, meu avô Francisco, por volta de 1945 decidiu aportuguesar a grafia para "Pichorim", que tinha certa semelhança sonora ao original. Não sei se foi coincidência ou proposital, mas a nova grafia ficou muito próxima a palavras de origem Tupi-guarani: pixurum (mutirão) e pichurim (tipo de árvore). A inculturação então ficou completa. Agora posso dizer que sou tupi-polaco-guarani.
O verde viçoso
de uma canela-branca.
Minha nova filha.
Chá da tarde com
semente de pichurim.
Família saudável.
Nota 1: Canela-branca, Nectandra pichurim (H.B.K.) Mez.
Nota 2: Este pichurim (Nectandra puchury-major) é o mais famoso da família, ocorre na região amazônica. Sua semente é medicinal.
18.8
Trevos de três folhas.
Que sorte a minha
poder revê-los!
19.8
O duelo entre
bem-te-vis e sabiás.
Ração de cachorro.
20.8
O mesmo pinheiro
e os diversos moradores.
Namoro de pássaros.
21.8
HÁ UM MÊS
Abóbada azul
suspensa pelas colunas.
Um dia na Grécia.
Céu puro azul
suspenso pelas paredes.
Igrejinha grega.
O olho grego
pendente na varanda.
Um sol azul.
22.8
Nota: voltando ao álbum de fotos...
Quase um são Francisco!
Eu falo com o joão-de-barro
e ele me responde.
23.8
O passado já passou
e o futuro ainda futurará.
Mas por hoje basta
a presença do presente.
24.8
O anjo anuncia:
o verbo se faz carinho
da água ao vinho
do pão à poesia.
25.8
A sombra difusa
de uma árvore sem folhas.
Meu sonho confuso.
26.8
Coberta em névoas.
A araucária repousa
à espera do sol.
26.8
O sol de cristal
cai sobre o mar e se quebra...
caquinhos de luz.
27.8
O ACORDO
Eu fico com as de baixo
e vocês, pássaros, com as de cima.
Bananas no cacho.
28.8
Antes de ser mar
ele será cataratas.
Riacho de serra.
29.8
Cevar mate e
rever antigas lembranças...
Manhã de agosto.
29.8 dia da Erva-mate, ao amigo Carlos Martins.
Sinos da matriz
envoltos em mistérios...
manhã de neblina.
30.8
Chuva de inverno.
O passatempo da tarde
no caça-palavras.
30.8
Palavras cruzadas.
Lá fora o tempo frio,
aqui, tempo lento.
31.8
Acorda hortênsia,
é o fim da hibernação!
Verdejantes hastes.
s.f.pichorim
31.8
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