Agosto 2022

 Leitores, eis 38 tercetos e haicais com temas de agosto. Boa leitura. 

Obrigado pela presença neste blog, por curtir e compartilhar. 


O vento gelado

vibra os espinhos finos.

Que delicadeza!

1.8 


Um toque na lua

com a ponta do dedo...

e ela sorriu.

2.8 


De vó para netas

a arte se perpetua...

Tricô em família.

2.8 


Uma sensação

de estar sendo observado.

Manhã de agosto.

3.8 


Uma borboleta              

perfeitamente simétrica.

O musgo disforme.

4.8 


Para a borboleta

e no chão a sua sombra...

Lembrança do Goga.

4.8 


No jardim sem cor...

uma rosa de inverno

é policromia.

5.8 


Céu e mulungu.

O que seria do azul

sem ter o vermelho?

6.8 


O lodo do mangue

se mostra na maré baixa.

Alguns urubus.

6.8 


Na floricultura...

O perfume do jasmim

sempre é de graça.

7.8 


Remédio de gripe.

Eu, um pouco mais aéreo,

sonho acordado.

8.8 


Sempre Pindorama!

Sem saber onde começa

e acaba o Brasil.

8.8 


Chuvinha de inverno.

A monotonia das

gotas a cair.

9.8 


O lanche doado 

ao artista de esquina. 

Ar de primavera.

10.8 


Ao rei que ilumina

o infinito céu de azul.

Clara de Assis.

11.8 


Eis a superlua.

Sem muita inspiração

fiz este haicai.

11.8 


Podar as hortênsias...

Já sinto o perfume das

flores que virão.

12.8 


Pela chuva fria,

janelas e redes sociais...

O mundo confuso.

13.8 


Pijama, perfume,

pinot, pinga pra pescaria...

Presentes pro pai.

14.8 


Na chuva constante

eu tento me proteger...

Os meus pés molhados.

15.8 


Sol vitrificado

pelo vitral da igreja.

Vidrado fiquei...

16.8 


DNA

O meu patrimônio

é fruto de matrimônios.

Anas e Antônios.

17.8 


Ao ver as parreiras

lembro dos antepassados.

Minguante de agosto. 

18.8 


Livro a céu aberto.

Cada pedra na ruína

conta uma história.

19.8, aos historiadores 


Chuvinha sem fim.

Plic plic plic plic plic plic plic

plic plic plic plic plic.

20.8 


Aos pés do cruzeiro.

A vela acesa revela

a fé do romeiro.

21.8 


Ao redor do fogo

estórias de assombrar.

Dia do folclore.

22.8 


Vuelvo a repetir

la sensación de la Puna.

Pupusa en el mate.

23.8 


Toc-toc na vidraça.

Briga com seu reflexo o

sabiá-do-campo.

24.8 


O café da tarde

no terraço do shop'center.

Zen'trado em mim.

25.8 


Recluso no inverno...

projeta-se em cada pingo

o mesmo horizonte.

26.8 


Na noite nublada.

Um console de LEDs

serve de consolo.

27.8 


Noite de novena.

Ninguém estava lá...

Noite de novela.

28.8 


Frio, friagem, frio...

Cansado desta estação

anseio pela nova.

29.8 


Um lugar comum

de amor, saudade e esperança.

Presença da Mãe.

30.8 


As mimosas

a cada dia mais doces.

Final de agosto.

30.8 


O ar de montanha

com jeito de minha terra. 

Frio, denso e úmido.

31.8 


Cores e sabores

da infância sem fim.

Final de inverno.

31.8

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