Novembro 2021
Eis os haicais vividos neste mês.
Alguns são fotohaicais no Instagram
@sergiofpichorim
Orações aos pés
do gigante redentor.
Manhã de novembro.
1.11
Pela internet -
a missa e os pedidos
a Tod@s @s Sant@s.
1.11
Dia de finados.
Um túmulo abandonado
é lar de insetos.
2.11
Quantas cruzes novas
nos cemitérios do país!
Dia de finados.
2.11
O corpo do gato
enterrado no quintal.
Dia de finados.
2.11
Espinafre fresco
na sacola do freguês.
O final da feira.
3.11
Coma espinafre
pra ficar como o Popeye!
Mamãe me dizia.
3.11
Jataí mirim
desarmada de ferrão...
Também sou da paz.
4.11
No reverso do universo
eu me encontrei:
Multiverso ao inverso.
4.11
Noite de insônia.
Conto as motos de delivery
que passam na rua.
5.11
Um coração quente
sangrou hoje em minhas mãos.
Beterraba cozida.
5.11
Um cubo de sol
ilumina a lua cônica.
Minha terra plana.
6.11
Pelos quatro cantos
voa o balão octaedro.
Minha terra plana.
6.11
Nesta terra plana
o pensamento é quadrado.
Retrocede o tempo.
6.11
Dias alongados.
O sono pela manhã
por mais uns minutos.
7.11
À luz de vapor
na avenida deserta...
Namoro de gatos.
7.11
Que dia chuvoso...
Uma perereca coaxa
no vaso de bromélia.
8.11
Janela aberta.
O sino de vento avisa
passou uma brisa.
8.11
Nosso jardim.
Umas sobem outras descem,
essas helicônias.
9.11
Chuva, sol, chuva...
No intervalo
o som dos tucanos.
9.11
Zumbidos de insetos
na noite de primavera.
Caminho de casa.
10.11
Mar da Sardenha.
Até podia ser um
mar de sardinha.
10.11
Numa só bicada.
A sabiá engole a
frutinha vermelha.
11.11 sob um Vacum... (Allophylus edulis)
Manhã de novembro.
São 800 haicais
e muitos amigos.
11.11
O potrilho morto...
Para as aves carniceiras
dia de banquete.
12.11
Surpresa na mata.
Pequenos cogumelos
ao lado da trilha.
12.11
O velho cavalo
quanta relva pastou...
Adubo de grama.
13.11
Os haicais de Bach
na música de Bashō.
Delira um fã.
13.11
As flores
na beira da estrada...
O cavalo não comeu.
14.11 Relendo Bashō.
Quantas orelhas
de quantas princesas?
Fuchsias nativas.
14.11
Quinze de novembro.
Sem nada para fazer
é só contemplar.
15.11
Um jacarandá...
As pinceladas vibrantes
de Vincent van Gogh.
16.11
TRIO POLIEDRO
Tributo a Buckminster Fuller (1895 — 1983).
Ao redor do globo...
Vinte terraplanistas são
icosaedristas.
Projeções de Fuller.
Esse planeta terra
cada vez mais chato.
Vá pra Cuba!
Mas eu, para contestar...
Vô pro Cubo.
17.11
Rajada de vento.
Uma onda amarela
sob a tipuana.
18.11
Dia da Bandeira.
O verde-louro é cinza
na foto antiga.
19.11
Uma velha amiga
há tempos longe de casa.
Dia da Bandeira.
19.11
Floriu de amarelo,
e agora de rosa, a árvore...
Os cravos-do-mato.
20.11
Cresce uma planta
pela fresta nos ladrilhos.
Ar primaveril.
21.11
Na noite nublada
centenas de vaga-lumes...
Estrelas no chão.
22.11
Corre o riacho...
Rumo ao mar, deixa pra trás
murmúrios e paz.
23.11
É dia do rio!
No Paraná vão fluindo
também os haicais.
24.11
Faz quatro anos...
Uma estrela de primavera
brilha em nosso céu.
25.11
Não era orquídea
nem sequer tinha um arco.
Ah, íris azul.
26.11
O eterno verde
dos pinheiros-paraná.
Agora mais vivos.
27.11
A antiga igreja
pintada no azulejo...
Começa o Advento.
28.11
É primavera...
Um cognac ao som de Tim
à luz da lareira.
29.11
A palmeira quer
ver a família crescer.
Coquinhos com broto.
29.11
Nenhuma palavra...
Apenas o afeto no olhar
de mãe para mãe.
29.11 para minha mãe Dona Carmen.
Do velho cipreste
o perfume em minhas mãos.
Avô jardineiro.
30.11
Flores das vovós
em velhas latas de tinta.
Repletas de cores.
30.11
A última flor
da orquídea cymbidium.
Tchau tchau primavera.
30.11
Da dor do parto
(Quão vívidas primaveras...)
À dor da partida.
30.11
Em memória de Dona Carmen, minha mãe.
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